23.10.15

Resenha: O Lago das Sanguessugas


O Lago das Sanguessugas - Lemony Snicket
192 páginas


"No turbilhão de suas vidas infelizes, poder contar com os outros dois era, para cada um, o mesmo que ter um barco no meio de um furacão, e esse era um sentimento que inspirava muita felicidade aos órfãos Baudelaire." 


Depois de mais uma tragédia assolar a vida dos Baudelaire, eles se veem, novamente, prestes a ser entregues a outro parente do qual nunca ouviram falar. E a escolhida da vez é a tia Josephine, uma viúva medrosa que mora num penhasco acima do Lago Lacrimoso. Nesse lago habitam sanguessugas que comem gente. Mas calma, elas só comem quem entra no lago de estômago cheio...
Paranoica, Josephine não permite que os órfãos façam quase nada, inclusive cozinhem a comida. Logo, a vida deles agora se resume a sopa fria de pepinos e correções de português, já que a tia é apaixonada por gramática.
Mas é óbvio que Conde Olaf não ia desistir de colocar as mãos na fortuna das pobres crianças. Ele descobre onde os Baudelaire estão e se disfarça para ir atrás deles. Resta saber se dessa vez seu plano dará certo...

No terceiro livro de Desventuras em Série, Snicket segue a mesma receita dos dois primeiros volumes: os jovens Baudelaire são entregues a um parente desconhecido e Conde Olaf vai atrás para roubar sua fortuna. A fórmula é boa e já vi que é exatamente essa a intenção da saga. Vai ser sempre assim e tudo bem.
O que me incomodou de verdade é que esse livro confirmou algo que eu desconfiava: a série é bem mais infantil do que eu esperava. Gosto de livros infantis, desde que eu já comece a ler sabendo que é uma obra escrita pra crianças. Mas, nesse caso, esperava uma narrativa um pouco mais juvenil. Nada adulto, lógico, mas não tão infantil.

De qualquer forma, Snicket foi bem sucedido naquilo que se propôs. Sua narrativa é ágil e nada cansativa. Conde Olaf está cada dia mais insano e os Baudelaire mais desafortunados. Por vezes me peguei lembrando do tio Monty e sentindo saudade da vida que essas pobres crianças poderiam ter com ele.
Josephine me deu nos nervos. Ela não é má, mas é tão insuportável que fiquei mais antipatizada com ela do que com o próprio Olaf. A única coisa boa que ela fez foi a forma com que avisou aos órfãos sobre os planos do vilão. Foi, de fato, muito inteligente.
Gosto da forma fiel que o autor descreve seus personagens. Não há grandes mudanças de comportamento, o que realmente não era pra ter, visto o curto período de tempo que se passou do primeiro livro até aqui. Mas acredito que os Baudelaire ainda mostrarão um certo desenvolvimento ao longo dos próximos dez volumes.
Algo curioso é que, tendo em vista o público a que se destina, o texto de Lemony é bastante cruel. A forma com que as mortes acontecem não parecem muito coisa de criança, mesmo não sendo nada explícito.

Enfim, O Lago das Sanguessugas é um livro leve e divertido, perfeito para uma leitura descompromissada ou, melhor ainda, para ler para seus filhos. Queria ter conhecido essa saga quando eu era criança, mas com certeza vou apresentar essa história para meus futuros filhos na primeira oportunidade. Se você já tem seus pequenos, siga meu conselho e leia Desventuras para eles. Além de amar, quem sabe eles não se tornam os mais novos amantes da literatura do pedaço?!

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